Proteger a produção começa antes da colheita e vai além de contratar uma boa cobertura. Seja para acessar crédito, planejar a safra ou reduzir perdas, todo produtor precisa entender uma coisa: nem tudo o que pode dar errado na lavoura está protegido. Os chamados riscos excluídos são eventos que, embora possam causar prejuízos significativos, ficam fora da cobertura das apólices de seguro e, por isso, não geram direito à indenização.
Conhecer esses riscos ajuda a decidir melhor, seja na contratação do seguro, seja no dia a dia do manejo.
O que são riscos excluídos?
De acordo com a Circular SUSEP 291/05, risco excluído é qualquer evento danoso potencial que não esteja listado como risco coberto na apólice. Se ele ocorrer, o segurado não recebe indenização. Esses riscos vêm especificados no contrato justamente para evitar mal-entendidos.
O ponto central é que muitos deles não são fatalidades. São perdas ligadas a decisões e práticas de manejo, o que significa que podem ser prevenidas.
Principais exemplos de riscos excluídos
As regras variam conforme a seguradora e o tipo de apólice, mas alguns exemplos aparecem com frequência:
- Problemas de solo: deficiência nutricional, salinidade, toxicidade de alumínio, fungos, nematoides e compactação.
- Semeadura inadequada: plantio sem uniformidade, falta de umidade no solo, alagamento ou problemas de salinidade.
- Falhas de operação e maquinário: mau uso ou falhas no equipamento, excesso ou deficiência de defensivos e práticas inadequadas de plantio.
- Doenças e pragas: perdas por doenças fúngicas, virais ou bacterianas, pragas e ervas daninhas, mesmo quando há controle disponível.
- Deriva e compactação: danos por deriva de defensivos de lavouras vizinhas ou compactação causada por maquinário.
- Cultivo fora do zoneamento: lavouras que não seguem o Zoneamento Agrícola do Ministério da Agricultura, com datas de plantio inadequadas ou uso incorreto de sementes.
Por que as indenizações são negadas?
As negativas costumam ter origem em falhas de manejo, e não em eventos climáticos. Os motivos mais comuns são:
- cultivo em áreas fora do zoneamento agrícola recomendado;
- perdas por pragas e doenças que não foram controladas;
- semeadura mal executada, com emergência desuniforme.
Esses fatores mostram que uma gestão criteriosa da lavoura é tão importante quanto a proteção contratada.
Como evitar surpresas e reduzir perdas
Conheça bem o que você contratou
Leia a apólice com atenção e identifique todos os riscos excluídos. Em caso de dúvida, peça esclarecimentos ao corretor ou à seguradora antes de fechar o contrato.
Conte com apoio técnico
Um agrônomo ajuda a verificar se a lavoura segue as boas práticas e as recomendações técnicas, evitando problemas de nutrição do solo, semeadura inadequada e falhas no controle de pragas.
Busque orientação especializada em seguros
Um corretor com experiência em seguro agrícola pode indicar coberturas adicionais para eventos que a apólice básica não contempla, como alagamentos ou doenças específicas.
Adote boas práticas de manejo e registre tudo
Seguir o zoneamento agrícola, conservar o solo, manejar corretamente a irrigação e usar defensivos de forma adequada são requisitos fundamentais. Manter o histórico de cada talhão organizado (datas de plantio, aplicações, recomendações técnicas e monitoramento) ajuda a tomar decisões melhores. Também facilita comprovar que as práticas foram seguidas caso seja necessário acionar o seguro.
Informação é proteção
O seguro agrícola é uma ferramenta valiosa, mas não substitui um bom planejamento. Entender os riscos excluídos, contar com especialistas e manter uma gestão organizada da lavoura deixa o produtor mais preparado para evitar prejuízos e proteger seu patrimônio.